lu ♥

Apesar de todos acharem que vivem em um universo paralelo quando divagam solitariamente em suas músicas, conclusões ou momentos difíceis, eu acredito, no fundo da minha mente tão pensante, que tenho meu mundo particular, com os meus otimismos, crises e distanciamentos inesperados das pessoas.
Se eu soubesse que ter um blog fosse tão bom e que ele me ajudaria a perceber que as melhoras são reais e mais fortes que as simples denominadas "mudanças", eu diria à todos "faz um blog, é muito bom". Mas como qualquer outro fato na vida das pessoas, tudo tem seu lado negativo e insinuador de um fim total e geral, os blogs também tem o seu.
Para alguém iludido e tomado pelas dicas de uma típica revista adolescente, decidi, no dia 24 de janeiro de 2010 que faria um blog. Admirava o blog da Lia, gostava de assistir Esquadrão da Moda, e ficava me imaginando no Temporada de Moda da Capricho. E foi esses pequenos e tímidos detalhes que me tornaram tão evoluída e determinada.
Sinto que tenho meus gostos definidos, meu futuro pensado, minha escola concluída, meus desejos profissionais e pessoais, e não acredito que isso seja uma coisa comum para todos. Afinal, com 15 anos eu só queria conhecer o Justin Bieber, sonhava com meu vestido da festa, ficava lendo os conselhos do Vida de Garoto e ficava estressada com uma amiga que me dizia pra ler a revista Época. E agora, parece que está tudo no lugar. Tudo pronto pra uma nova jornada.
Antes eu assistia High School Musical e imaginava uma vida de filme.
E hoje, eu ainda assisto e ainda imagino.
Isso mostra que agora, eu só tenho a certeza de quem eu sou.
Uma pessoa que fala palavrões, que não gosta de sair da sensação de estar solteira com meus pais comendo pipoca na sala, que pinta as unhas já pensando nas fotos que vai tirar dela, que para as milhões de coisas que está fazendo para fazer outras, que organiza cada segundo do seu dia, que tem uma coisa estranha no coração quando vê agendas e caderninhos, que fica pasma com as pessoas que vivem suas vidas pacatas e sem graça, que quer ter uma casa toda artesanal, que baixa músicas de trilhas sonoras de filme, que sente absurdas dores de cabeça quando fica sem óculos, que ama usar óculos, que quer fazer uma coleção de armações de óculos, que faz planos para sua vida, que tem medo do que as pessoas vão pensar, que finge que não percebe as coisas mas percebe, que não gosta de classificar uma feição de alguém como "cara de coitado", que sonha com o homem perfeito, o encontra, e percebe que não é tão legal assim.
Anos atrás eu via os progressos das pessoas, não entendia meu irmão se estressar na escola, e ontem eu estava na sacada da casa de uma amiga, sentindo a brisa de uma noite gostosa, conversando sobre faculdade e ouvindo "você parece mais velha".
Minha adolescência toda eu fiquei frustada com o fato do meu cabelo não ser liso, das pessoas serem espontâneas nas fotos e eu não, de eu não ter peitos, de eu não beber, de eu não ficar com meninos bonitos.
Ainda não tenho peitos enormes, mas eu cresci. Eu mudei. Eu ouvi das pessoas que eu devia ter mais auto-confiança, que deveria parar de julgar os outros. E, por mais chato que seja você ouvir isso, é a melhor coisa alguém chegar em você e dizer algo que é para o seu melhor.
Me libertei da ideia de que eu ficava feia nas fotos quando sorria, de que não era capaz de ficar com algum menino muito bonito, de que nunca teria um piercing, uma tatuagem e um sapato bem legal, que todas invejassem. 
Adoro gritar, adoro comer, adoro sentir que estou emagrecendo, adoro comprar roupas em brechó, adoro imaginar os momentos da minha vida como cenas de filmes, com músicas de fundo. Adoro ver pessoas estilosas, com roupas diferentes, tatuadas e adoro quando elas me olham.
Antes eu não tinha as roupas que tenho, o rosto que tenho, a simpatia ou antipatia que tenho, o óculos que tenho, o jeito que tenho. E ter tudo isso me motiva a acordar, tirar uma foto e colocar no instagram, lavar a louça, comer uvas, ir na janela e olhar a rua, ligar a TV e ver o que está passando. 
Minha sorte, meu otimismo, minha vontade de viver, minhas ideias, meus momentos de crise, minhas dificuldades de relacionamentos amorosos, tudo, tudo me mostra que eu não posso parar de ser assim, não posso mudar drasticamente. Gosto de ser quem eu sou, por mais egocêntrico que isso possa parecer. 

O blog me ajuda a ver como mudei, como a tecnologia mudou, como o layout mudou, como meu cabelo mudou, como a moda mudou, como os esmaltes mudaram, como o mundo mudou diante das minhas perspectivas.
Tentei usar o cabelo longo, tentei assistir Grey's Anatomy, tentei fazer academia, tentei usar as unhas longas, tentei gostar de séries de livros, tentei não ser tão igual à tanta gente.
E mesmo sabendo que tem muitas pessoas iguais, me sinto diferente. E assim a vida segue.

 

Luiza Wonderland Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos