2 de mai de 2014

ainda não sou uma "flor"

Postado por LUIZA às 17:48
Não tem problema algum você adorar a sensação de que as únicas pessoas que ama são seus pais e seu irmão. Chegar sexta-feira e você planejar ler mais alguns capítulos de um livro, separar uns episódios atrasados daquela série, sentar no sofá, fazer um chá, colocar aquela calça larga horrorosa, ficar mudando de canal, dormir sem querer.
O sábado é perfeito quando ninguém enche seu saco querendo sair, beber e farrear. Claro, tem dias que sim. Mas sempre preferi os dias do não. "Não to afim". "Não tenho dinheiro". Não que seja mentira, afinal, 70% dos meus fins de semana se resumem em carteira vazia, cabeça cheia de trabalhos da faculdade e algumas gavetas para arrumar. 
O estar sozinha me faz bem.
Amo não ser de ninguém, amo sentar na minha mesa e resolver minha vida, pensar, desenhar, escrever, ler, assistir alguma coisa. Nunca precisei compartilhar isso com ninguém. 
Teve uma época, que eu caí no insólito da mente humana aos domingos à noite, que estava sentada no banco de trás do carro dos meus pais, voltando da minha vó, ciente de que chegaria em casa, arrumaria tudo, e iria dormir pra começar mais uma semana. Foi então que desejei sentar no banco do passageiro de alguém, pegar na mão de alguém enquanto essa pessoa estava dirigindo. Sem vergonha do meu irmão. Sem medo. Sem preocupação de que se tudo acabasse agora, eu estaria alí, com aquela pessoa.
Mas passou rápido.
Sempre falei que queria alguém, um namorado, um príncipe, um ficante, alguém pra tirar foto junto e espalhar amor por aí. Mas nunca tinha parado pra pensar a fundo sobre isso. 
Viver a minha vida sempre foi meu objetivo. 
Gosto da minha vida.
Gosto do meu quarto, dos meus livros, do meu celular com as minhas músicas, gosto de sentar no chão pra fazer as coisas, gosto de ficar fazendo carinho na koda, no silêncio, sem ninguém perguntando alguma coisa, querendo saber o que eu to pensando.
Sei lá se é egocentrismo.
Não nasci pra "ser de alguém".
Sou a filha da minha mãe, a filha do meu pai, e a irmã do meu irmão.
É isso que eu sou e ponto.
Não tem coisa melhor do que você não dar satisfação pra ninguém, olhar pra todo mundo, imaginar relacionamentos perfeitos, sentir vontade de abraçar alguém no frio ?
Sim. Eu gosto de pensar assim.
Mas não sei se gosto de viver isso. Nunca gostei de andar de mãos dadas, nunca gostei de ninguém mexendo no meu cabelo, nunca gostei de carinho no rosto, nunca gostei de braço esticado no meu ombro, de mão na cintura, carinho alí, carinho aqui, beijinho, abracinho.
Sou muito seca quando se trata de mim.
Claro, choro com filmes, vivo os romances imaginariamente. E quando é comigo, pronto. Bloqueia tudo.
Mas tá mudando.
Eu quis mudar.
Dei uma chance pra isso.
Quando me toquei de onde eu estava me metendo, não tinha mais jeito. Já estava tentando.

- Obrigada por me ajudar a desbloquear tudo isso. Ainda não sou uma "flor", mas estamos tentando. 

4 comentários:

Bruna Fernanda on domingo, maio 04, 2014 disse...

Mano, que lindo, chorei :')

Anônimo disse...

...só completando...adoro ser sua mãe...chorei...pra variar !!!!

Jeniffer Brito disse...

Ai que tudo!!!!!!!
Eu era exatamente como você, e com o tempo a gente vai mudando... mudando... Cada fase tem uma sensação e é isso que faz a vida valer a pena :)
Tudo de bom Lu!!
Jeniffer :)

Anônimo disse...

Amei e reli!
<3

Beijos
Kell

 

Luiza Wonderland Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos